O célebre arquitecto italiano Nicolau Nazoni deve ter sido encarregue da elaboraçãodo projecto por Francisco de Távora e Noronha, nascido em 1704 e falecido em 1739, casado com D. Leonor de Sousa Cyrne. Uma filha do casal, chamada D. Ana, foi mulher de seu tio paterno, Vicente de Távora e Noronha. Destes descendia D. Ana Rosa, que casou com o primeiro visconde de Azurara, João António Solter de Mendonça, aos quais sucedeu Jorge Solter de Mendonça, segundo visconde de Azurara, que, por volta de 1850, vendeu o palácio e a quinta ao negociante António Afonso Velado que, em 1866, recebeu o título de Barão do Freixo e, em 1870, o de visconde do Freixo. Este titular fez substituir, no palácio, o brasão que nele existia repetido em vários pontos – armas dos Távoras, pelas suas próprias – escudo partido de Afonso e Cunha – e mandou realizar grandes obras no interior que se encontrava bastante estragado. Mas essas obras modernizaram excessivamente as salas e deram a algumas uma nota de exotismo – havia um salão árabe e outro chinês – que desvirtuaram o primitivo carácter do edifício.
Nova alienação da quinta e palácio teve como resultado grande devastação nos jardins e no interior, a ruína progressiva pela aplicação, a depósito, de sacos de farinha produzida na fábrica de moagem construída na proximidade do edifício. Nos jardins ainda há restos de curiosos embrechedados.
O palácio é de planta rectangular e tem torreões salientes nos cantos, cobertos por telhados de ardósia em forma de pirâmide, torreões esses que acrescentam mais um piso ao edifício, excepto na face da escadaria em que há janelas ao mesmo nível, na parte central. A balaustrada que corre sobre o andar nobre é ornamentada, bem como os torreões, com pirâmides em forma de urna, rematadas em superiormente em ponta. O frontão que remata a face da escadaria é ricamente decorada; harmoniza-se com os ornatos que estão colocados nos torreões entre as pirâmides dos cantos. Numa das fachadas conserva-se, como vestígio da heráldica dos primitivos donos, uma coroa de nobreza – que por vezes aparece indicada como de marquês -, encimado por um golfinho, timbre dos Távoras. São dignas de atenção as sacadas com balaústres de granito, de algumas janelas.
in “Porto Turismo” http://www.cm-porto.pt

